Tempo Que Corre
O Algarve é o sítio que mais amo no mundo. Não acredito que haja um sítio melhor para se estar, sinto um amor imenso por aquelas praias e pela ligação ao mar. Reconheço que falta muita coisa, cultura, escolas especializadas, serviços, lojas, etc, mas quem vive lá já se habituou.
Londres esta no meu coração, em Londres sinto-me em casa, mesmo sendo um país estrangeiro. Anseio por voltar a ter uma vida lá, porque foi a primeira vez em muitos anos que me senti feliz. E apesar de muitas e muitas horas difíceis, sinto que é como se me conseguisse descobrir lá.
Perdi o emprego há cinco meses, vi-me forçada a voltar há quatro, recomecei há procura de emprego há dois.
Esta semana decidi vir passar uns dias a Lisboa, porque tenho cá casa para ficar, queria ver amigos e mudar de ares. Procurar emprego é tão cansativo e desesperante às vezes. Eu vou ser sincera, após ter vivido aqui seis anos eu tenho uma grande certeza, não gosto minimamente de viver em Lisboa. É uma cidade muito bonita para se visitar, sou a primeira a dizer isso, mas eu odeio a vida que se tem aqui. Ontem quando cheguei à ponte fiquei presa na 2a circular durante uma hora, era exactamente o que me apetecia depois de 3 horas a guiar.
Eu começo a chegar à ponte e começo a sentir-me desconfortável, não há razão para isso, mas não consigo explicar. Eu nunca fui feliz aqui, aliás fui até bastante infeliz, para dizer a verdade, mas só me apercebi verdadeiramente disso quando fui para Londres. Eu detesto a vidinha de ter de ir de carro para todo o lado, acho insuportável. Se pudesse só andava de metro, mas ainda há muitas zonas onde é difícil ir de metro e os autocarros são péssimos, nunca mais quero ter de entrar num.
Conclusão, eu não quero voltar a viver em Lisboa.
Na minha ansiedade de procurar emprego, tenho mandado currículos para todo o lado, Algarve, Londres, Paris, Dinamarca, Noruega, Suécia e mandei uns 3 para Lisboa. Ontem chamaram-me para ir a uma entrevista nos arredores de Lisboa. E claro que eu fiquei contente e posso nem conseguir o emprego, mas ao mesmo tempo não consigo deixar de pensar que raio de universo doente é este que me tira da cidade onde eu realmente quero viver e era feliz e de repente me chama para uma entrevista num dos sítios onde eu já fui mais infeliz.
























































































